Trail or Park?
É o modelo direccionado às vertentes de dirt e park da Transition. Quadro de linhas simples e limpas que apresenta um look new school.
A Transition é uma marca que tem crescido exponencialmente nos últimos tempos. Tornou-se em pouco tempo uma marca de referência, a trazer novos produtos de qualidade para o mercado. É uma marca sediada nos Estados Unidos, criada por pessoas que realmente andam de bike. Basta ir ao site da marca para ver que ao lado da sede existem uns dirts de fazer inveja. É essa a filosofia da marca: Rider Owned for Life, fazer e criar produtos de riders para riders.
A marca é importada para Portugal através da JustBikes, que gentilmente cedeu este modelo para teste do freeridezone.net.
O quadro:
O quadro é construído em cromoly 4130 como é normal nesta gama. Apresenta um eixo pedaleiro do tipo Spanish BB o que traz logo uma grande simplicidade de montagem e redução ao máximo do número de peças constituintes do conjunto.
Neste modelo, consegue-se obter a versatilidade e fiabilidade do cromoly num quadro que pesa os seus meros 2,5 kg. Desta forma, consegue-se montar uma bike de dirt/park bastante leve o que é algo que se traduz imediatamente em facilidade de manobra.
Os cuidados com os pormenores saltam logo à vista. Como se pode ver na foto abaixo, a peça utilizada para reforçar a soldadura das escoras superiores é maquinada de forma a reduzir ao máximo o seu peso. As soldaduras, como se podem ver são quase imperceptíveis, melhorando assim a qualidade visual.

Outro dos pormenores de interesse é o acabamento dos drop-outs em V. Este acabamento, embora possa parecer algo apenas estético vem facilitar a entrada da roda de trás quando a montá-la. Diga-se já que este benefício é de todo bem vindo quando o quadro é novo já que as tolerâncias são apertadas, o que dificulta a entrada da roda.
Um ponto contra, relativamente aos drop-outs, é a falta de esticadores de corrente integrados. Dependendo do estilo de andamento de cada um isso pode ou não ser algo que faça falta.

A geometria do quadro assemelha-se em muito à de uma BMX. Talvez se sinta ao início uma distância maior que o normal entre eixos mas o comprimento da escora é bastante reduzido. Assim possui-se mais espaço para a roda da frente passar em barspins ou x-ups e o facto da posição de condução ser mais atrás facilita o manual.
A MontagemComo não podia deixar de ser, o conjunto cedido possui um grande número de peças comercializadas pela Transition. São elas:
Rodas: Revolution 32
Selim: Park n' Ride Jump Saddle
Caixa de direcção
Sprocket: TBC Sprocket
Pedais: Stepdown Pedals




Outras peças (principais):
Suspensão: Rock Shox Argyle 318
Pneus: Kenda K-Rad
Guiador: Truvativ Holzfeller
Avanço: Truvativ Holzfeller
Travões: Avid Juicy
Numa primeira abordagem sente-se logo o baixo peso desta montagem mas num conjunto sólido. Como ponto contra relativamente à posição de condução, apenas se nota a escolha do guiador que, não tendo uma grande elevação, retira um pouco a facilidade a algumas manobras (especialmente para pessoas maiores), no entanto, um pouco de habituação resolve este problema.
A eficácia das regulações da Rock Shox Argyle consegue transformar em completo o comportamento da bike. É possível quase bloquear a suspensão, tornando-a como uma ajudante para percalços, apenas funcionando nos maiores impactos. Essa é uma possibilidade de afinação imprescindível tanto para dirt como para park que é fornecida assim nesta suspensão.
Os pedais apresentam uma plataforma de boas dimensões, oferecendo uma boa tracção através dos pins removíveis. Notou-se no entanto que em piso molhado a tracção não se mantém a 100% devido à parte central dos pedais ser lisa. Isto nota-se especialmente nas primeiras pedaladas quando ainda se tem as solas molhadas.
Teste no Terreno
A bike foi testada para aquilo que foi desenhada: Street, Park e Dirt. Em todos os testes a bike demonstrou ser bastante manobrável.
Em Street é possível sentir a grande rigidez do quadro nas aterragens. É sem dúvida um quadro que apresenta uma rigidez exímia mas ao mesmo tempo um baixo peso. O baixo peso possibilita-nos manobras de rotações extremamente fáceis, sem grande esforço se faz um bunny-hop 180º ou um fufanu. Os pneus Kenda apresentaram sempre uma boa aderência, mesmo em calçada molhada, o que é um bom teste a qualquer pneu.

Em Skate Parque esta bicicleta está em casa. Podemos fechar a válvula da suspensão ao máximo para conseguirmos maior impulso nos saltos, o que é um ponto a mais para esta suspensão no que toca a este tipo de utilização. Esse factor, aliado à baixa resistência dos pneus faz com que se consiga ganhar imensa velocidade apenas pelo pumping, o que é notório tanto em park como em dirt.
Mais uma vez, o baixo peso é uma benesse, 180, 360 ou mais para os mais aventurosos, facilmente nesta bike se consegue.
Algo que se notou ser mais difícil de fazer foi sem dúvida o manual. O ponto de equilíbrio neste caso não é muito fácil de alcançar, tendo o rider que se manter mais atrás do que é costume. Um guiador mais elevado ajudará nesta questão.

Em Dirt, mais uma vez a bike dá cartas. É muito fácil manobrá-la no ar, facilitando manobras como whips e table-tops. Relevês não são problema, a baixa distância do eixo pedaleiro ao solo permite uma grande confiança a curvar, sendo fácil ganhar velocidade (por vezes a mais) ao fazer os relevês entre saltos.
Factos e OpiniõesAlgo que se pode tornar irritante nesta montagem é o barulho que a suspensão faz. Sempre que é comprimida faz uma espécie de guincho que pode começar a tornar-se irritante. Este facto é constante, quer se abra a válvula de compressão ou não. Os BMXrs vão gozar com a vossa suspensão!
Na montagem apresentada não foram incluidos esticadores de corrente. Para dirt não se torna muito necessário, no entanto, para street pode-se tornar essêncial, dependendo do tipo de andamento de cada um. Um drop que precise de uma pedalada ou aquele arranque com mais força pode fazer a roda de trás deslocar-se, o que faz a corrente perder tensão, podendo mesmo bater na escora.
Uma constante nesta review, e algo que já foi mencionado acima, é o facto da escolha do guiador para esta montagem. Na minha opinião a escolha não é a melhor, mas se calhar para outro rider pode fazer mais sentido. Dependerá imenso dos gostos e do tipo de andamento de cada um.
O selim da transition apresenta, no meu ver, um design bastante interessante, mas não pensem em fazer muitos quilómetros sentado nele! Como é óbvio não é desenhado para tal, no entanto tenham isso em conta.
Se se tiver que retirar a roda de trás sempre que é preciso transportá-la no carro, isso torna-se numa tarefa algo complexa. Isto é um facto que é mais notório quando o quadro é novo: a tinta acumulada nos drop-outs horizontais não deixa o eixo do cubo entrar facilmente. Aliado a isto, o disco do travão bate ligeiramente no bombito quando se está a montar a roda. Isto é um ponto algo negativo mas que não é notório, como é óbvio em andamento. No entanto, como os drop-outs acabam em V, ajudam a compensar este mal.
Outro ponto que compensa a difícil montagem da roda traseira é o cubo traseiro. Claro está que, quanto à durabilidade deste componente não se podem fazer juízos, no entanto, o facto de o eixo ser passante, facilita bastante o aperto da roda traseira. Desta forma, podemos apertar apenas a porca de um dos lados para fixar a roda. Isto, parecendo que não, é uma mais valia quando se está a alinhar a roda traseira, facilitando imenso o processo.
Claro está que, mais uma vez, isto tem mais impacto para alguém que tenha que desmontar a bike para a transportar.
Os pedais foram um ponto nesta bike que não espantaram. De facto, as condições atmosféricas em que a bike foi testada não ajudaram, no entanto os pedais não têm uma aderência excelente em condições húmidas. Isto devido à superfície lisa que se encontra no centro do pedal, havendo apenas pinos no perímetro do mesmo.
Ao escolher este quadro deve ter-se em conta que a única possibilidade para o sistema de travagem é através de travões de disco. Alguém que seja defensor de travões de aro para as disciplinas para as quais este quadro é desenhado não irá gostar desta limitação. No entanto, para os amantes dos travões de disco, ficam com um quadro o mais simples possível, sem furos para apoios na escora superior.

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Outras Informações
PVP (Quadro): 425€
PVP (Bike como apresentada aqui): 1450€
Site oficial da marca:
http://www.transitionbikes.com/Importador nacional:
http://www.justbikes.pt/Autores
Review elaborada por:
- Teste e texto: Guilhas (Guilherme Nunes)
- Fotografia: ScReAm RuLeS (Gonçalo Madeira)
Agradecimentos:
- Á JustBikes por ter cedido a bike ao Freeridezone.net para a realização deste teste.
Este artigo é propriedade da FreeRideZone